GAIA
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
sábado, 4 de maio de 2013
ervas medicinais do ver o peso
Poder medicinal, saber ancestral
ERVAS
Boldo, pariri, copaíba, andiroba. Quem não é do Pará pode até estranhar os nomes, mas a tradição popular do nosso estado tem muito a dizer sobre as propriedades medicinais de chás e óleos originários das nossas plantas nativas. Seja o chá de boldo para combater problemas no fígado ou no sistema urinário, ou o óleo de andiroba para tratar de traumatismos, esses conhecimentos repassados por gerações são tão arraigados à cultura dos paraenses que é difícil não se ouvir falar deles quando há alguém doente.
Não é necessário ir longe para encontrar quem use, acredite ou ensine como usar as ervas medicinais.
Na feira do Ver-o-Peso, as ervas vendidas servem não apenas para banhos que atraem sorte ou amor. Também é possível encontrar o pariri, que é usado tradicionalmente para inflamações ou anemia, ou o hortelãzinho, usado em caso de problemas respiratórios, entre várias outras ervas e usos. “É um conhecimento que eu aprendi com a minha mãe, Dona Cheirosa, e que ela aprendeu com a mãe dela, que era conhecida como Mãe Velha, e que vem sendo passado há muitos anos em nossa família”, diz a erveira Beth Cheirosinha, que há 45 anos trabalha com ervas no Ver-o-Peso.
Mas não é só no conhecimento popular que as ervas medicinais encontram lugar. Nas últimas décadas, estudos realizados por universidades e outras instituições de pesquisa têm levado para dentro dos laboratórios o conhecimento popular e trabalhado a partir dele para identificar as potencialidades das nossas plantas para aproveitamento medicinal, sobretudo para a produção de medicamentos fitoterápicos.
“O conhecimento popular pode ajudar a identificar que uso pode ser feito de uma planta. Por exemplo, se um pesquisador procura uma substância que possa ser usada para asma, ele não ia poder procurar entre todas as espécies do planeta até encontrar uma que tivesse a ação que ele procura. Se o conhecimento popular já diz que uma ou outra espécie é usada pra asma, o pesquisador pode ir diretamente fazer os testes com essas espécies no laboratório”, explica o pesquisador da Embrapa, Osmar Lameira, que há 20 anos pesquisa as plantas medicinais da Amazônia.
Por isso, pode-se dizer que a disponibilidade de espécies de uso medicinal, juntamente com o conhecimento tradicional, é um possível ponto de partida para pesquisas realizadas na área de farmácia e na medicina. A importância dessas pesquisas está expressa, por exemplo, na construção do Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, lançado pelo Ministério da Saúde em 2007 e que visa, nos próximos anos, implantar o uso desses conhecimentos no sistema público de saúde.
Produção de Fitoterápicos é uma forma de gerar renda. A indústria farmacêutica é uma das que necessitam de maior investimento e o Brasil não tem tradição nessa área. No entanto, a produção de medicamentos fitoterápicos, a partir das nossas plantas medicinais, pode ser uma atividade que promova desenvolvimento econômico e social.
“Nós devemos nos preocupar, e temos condições de fazer fitoterápicos de qualidade, porque a matéria-prima acontece aqui e a técnica nós já dominamos”, diz o professor e pesquisador de fitoterapia da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Pará (UFPA), Wagner Barbosa. O pesquisador lembra: os fitoterápicos podem gerar renda para comunidades que cultivam as plantas de interesse medicinal, e também “são uma oportunidade de melhorar a qualidade da política de saúde pública no país”.
MEDICINAIS
O Ministério da Saúde lançou em 2009 a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS, um documento que reúne o nome de 71 espécies de plantas medicinais, sobre as quais já existem estudos que apontam sua potencialidade. Algumas dessas espécies são largamente utilizadas em nossa cultura:
BABOSA
O nome compreende duas espécies diferentes, a Aloe vera e a Aloe barbadensis, a primeira já bastante utilizada pela indústria cosmética. Estudos apontam sua aplicação, sobretudo, para cuidados dermatológicos e cicatrizantes.
ANADOR
Uma erva utilizada comumente em cortes, afecções nervosas, catarro bronquial. De fácil cultivo e propagação em clima tropical.
PARIRI
Sua ação anti-inflamatória é o que vem sendo mais estudado atualmente.
PIRARUCU
Também conhecida como folha da fortuna. Usada no tratamento de furúnculos e também na produção de xarope para tosse.
(Diário do Pará)
Suco verde para melhorar o funcionamento do intestino 
Ingredientes:
Suco verde para desintoxicar o organismo

Ingredientes:
- 2 folhas de couve lisa
- 2 folhas de couve-de-bruxelas
- 1 rama de couve-flor
- 1 rama de brócolis
- 4 cenouras
- 1 maçã pequena (pode ser feito com outras frutas)
- 1 copo de suco de laranja
- Bata no liquidificador e adoce com mel. Também pode ser coado ou consumido naturalmente com os gomos, peles e sementes.
- Suco verde para acelerar o metabolismo
Ingredientes:
- 2 xícaras (chá) de espinafre
- 2 copos de pepinos cortados
- 1 cabeça de aipo
- 1 colher (chá) de gengibre
- 1 porção de salsa
- 2 maçãs cortadas
- 1 copo de suco de limão
- Bata no liquidificador e adoce com mel. Também pode ser coado ou consumido naturalmente com os gomos, peles e sementes.
Ingredientes:
- 2 xícaras (chá) de espinafre
- 2 copos de pepinos cortados
- 1 cabeça de aipo
- 1 colher (chá) de gengibre
- 1 porção de salsa
- 2 maçãs cortadas
- 1 copo de suco de limão
- Bata no liquidificador e adoce com mel. Também pode ser coado ou consumido naturalmente com os gomos, peles e sementes.
Ingredientes:
- 2 xícaras (chá) de espinafre
- 2 copos de pepinos cortados
- 1 cabeça de aipo
- 1 colher (chá) de gengibre
- 1 porção de salsa
- 2 maçãs cortadas
- 1 copo de suco de limão
- Bata no liquidificador e adoce com mel. Também pode ser coado ou consumido naturalmente com os gomos, peles e sementes.
Suco verde para desintoxicar o organismo
Ingredientes:
- 2 fatias grossas de melancia
- 1 maço pequeno de salsinha
- 2 maçãs
- 2 talos de salsão com as folhas
- 3 talos de erva-doce (ou funcho)
- 1 cenoura
- 2 laranjas
- 2 folhas de couve
- 1 pepino inteiro
- 1 pera
- 1 punhado de brotos de alfafa
Modo de fazer:
- Bata no liquidificador e adoce com mel. Também pode ser coado ou consumido naturalmente com os gomos, peles e sementes.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
terça-feira, 25 de setembro de 2012
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Economia, Política e Religião: 15 de Agosto – temos o que comemorar?
Economia, Política e Religião: 15 de Agosto – temos o que comemorar?: Como estou em plena campanha e sem tempo para fazer uma das coisas que mais gosto, escrever, resolvi, para não deixar passar batido esta i...
domingo, 29 de julho de 2012
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Esses índios aí
Pra que serve o índio? Índio não colabora com o PIB, não contribui com a ciência, não dourará nosso quadro de medalhas nas Olimpíadas e ainda é dono de Bélgicas e Bélgicas de terra improdutiva! Esses folgados deviam era tomar vergonha na cara, botar uma roupa, arrumar um emprego, mudar pra um apartamento de 25 metros quadrados e passar duas horas no trânsito, todo dia, como qualquer ser humano normal, é ou não é?!
Tirando a ironia do apartamento e do trânsito, o discurso acima não é muito diferente do que eu ouvi tantas vezes, na época em que cursava ciências sociais e explicava a algum curioso do que tratava a antropologia.
Lembrei-me dessas pérolas na semana passada, ao ler aqui na Folha a notícia de que uma portaria da Advocacia-Geral da União prevê a possibilidade de o setor público construir em áreas indígenas sem consultar seus habitantes. A ideia, pelo que eu entendi, é que as reservas não sejam reservadas. Genial.
Uma vez perguntaram a um antropólogo "por que os índios precisam de reserva?". Resposta: "porque eles existem". Simples assim. Por existirem, viverem da caça, da pesca, da colheita, de pequenas produções de subsistência -e, diga-se de passagem, por estarem aqui há pelo menos 5.000 anos-, devem ter as partes que lhes cabem entre nossos latifúndios.
Que baita desperdício! -dirá a turma do primeiro parágrafo. Debaixo das terras onde esses pelados estão a comer pitangas há minérios valiosíssimos! Minérios essenciais para a fabricação de celulares, por exemplo. Enquanto eles estão lá, rezando pro grande Deus da mandioca, poderíamos estar diminuindo em 0,001 centavo o preço dos smartphones, permitindo a mais gente tirar fotos de seus cachorros para pôr no Facebook, possibilitando que mais gente desse "like" nas fotos dos cachorros de mais gente, contribuindo, assim, para a grande marcha da civilização -mas esses índios...
Não, não direi que o índio é bom e a gente é ruim, caro leitor, nem acho que um caiapó viva necessariamente melhor do que o morador da Caiowá. Sou feliz com os antibióticos, as séries da HBO, as cervejas artesanais e outras conquistas da civilização. E é justamente a herança iluminista desta civilização à qual pertenço que me obriga a concordar que, se não há uma finalidade última para a existência, tanto faz gastarmos o tempo que nos foi dado vestidos e postando fotos de cachorros no FB ou pelados e cantando para a mandioca. Mais ainda: é essa mesma tradição, cujas grandes criações tanto admiro -de Hamlet ao microchip-, que me faz lamentar o tesouro que desperdiçamos ao menosprezar os quase 240 povos indígenas brasileiros, com suas mais de 800 mil pessoas falando cerca de 180 línguas. Quantas Ilíadas e Gênesis, Medeias e Gilgameshs, quantos belos poemas, cosmogonias e epopeias deixam de fazer parte do rio de nossa cultura por preconceito e ignorância?
Garantir a terra e a sobrevivência desses índios é aumentar a riqueza da experiência humana. A deles e a nossa. E, mesmo que não fosse, mesmo que "esses índios aí" não pudessem trazer nada de bom para nós, ainda mereceriam as reservas. Porque eles existem. Simples assim.
antonioprata.folha@uol.com.br
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